sábado, 15 de outubro de 2011

Comentários sobre a matéria de audiências (Arts. 444 a 457 do CPC)

Audiência de Instrução e Julgamento - AIJ

Audiência é um ato processual previsto no art. 358 até o art. 368 do CPC. A AIJ é um ato solene realizado na sede do Juízo, onde o Juiz colhe as provas documentais, periciais, depoimentos orais das partes e seus procuradores e oitiva de testemunhas. A Lei Processual Civil prevê que a audiência é indispensável quando há necessidade de apresentação de prova oral ou esclarecimentos do perito e assistente técnico para que o Juiz tenha base suficiente para a conclusão de suas convicções. Esse é o momento em que o Juiz tentará conciliar as partes, mesmo que tenha havido anteriormente as tentativas de conciliação por meio da mediação e da arbitragem. 
Na Audiência o Juiz exerce o poder de polícia, entre as sua incumbências, estão:

I – manter a ordem e o decoro na audiência; 

II – ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente; 

III – requisitar, quando necessário, força policial;

IV – tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo; 

V – registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência. 

Características da Audiência:

A audiência deve ser pública como descrita no art. 368, do CPC, realizada de portas abertas, exceto nos casos em que se exigir segredo de justiça onde as audiências deverão acontecer de portas fechadas. A audiência somente poderá ser adiada: por convenção das partes; se umas pessoas que devam participar da audiência não puder comparecer por motivo justificado; por atraso injustificado de seu início marcado por tempo superior a 30 minutos. quando o autor não puder comparecer à audiência é necessário justificar o motivo ao juízo, sob pena de ser considerada Confissão Ficta, isso é impõe-se ao autor que não comparece à audiência de instrução e julgamento, quando expressamente intimado a prestar depoimento pessoal com tal cominação.
O Juiz deverá realizar a audiência Una e indivisível podendo continuar em outra data até que seja dada a sentença. 

A Audiência é composta de 4 partes distintas: 

1 – Ato Preparatório:
 
Os atos preparatórios ocorrem antes da AIJ, onde se designa a data e hora para a realização da audiência; a intimação das partes e outras pessoas que devem participar da audiência; apresentação do rol de testemunhas.

2 – Ato de Tentativa de Conciliação das Partes:

Na abertura da audiência, o juiz tenta a conciliação entre as partes. Mesmo que a conciliação já tenha sido tentada anteriormente, ela pode ser promovida a qualquer tempo no processo. Se esta for obtida, será reduzida a termo e homologada por sentença.

3 – Ato de Instrução:

No ato de Instrução é o momento em que são colhidas as provas orais que serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta ordem, preferencialmente:
I - o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentos requeridos no prazo e na forma do art. 477, caso não respondidos anteriormente por escrito;

II - o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos pessoais;

III - as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão inquiridas.


4 – Ato de Julgamento:

No despacho saneador*, o Juiz defenirá as provas que deverão ser produzidas em audiência e determinará a intimação dos advogados. Em relação a produção de prova testemunhal, sendo omisso o Juiz, a parte interessada deverá apresentar o rol em cartório dentro do prazo de 10 (dez) dias. Entretanto, o depoimento pessoal da parte será precedido de intimação para prestar-lo, sob pena de confesso (art. 343, § 1º do CPC). Em outras palavras: a testemunha pode comparecer a audiência de instrução e julgamento independente de intimação desde que autorizada pelo Juiz, já o depoimento pessoal da parte deverá ser precedido de intimação.

*1) Expressão usada para o despacho do juiz que saneia o processo, caso não ocorra o julgamento antecipado ou a extinção do processo. É nesse momento que o juiz decide sobre as provas a serem produzidas e marca a audiência de conciliação e julgamento. 2) Na Justiça do Trabalho não há despacho saneador.

Conclusão:

A audiência de instrução e julgamento tem papel muito importante para uma ação judicial, pois é nesso momento que podem ser produzidas provas importantes para solução do caso, devendo os profissionais que dela participa ficarem atentos para não cometer falhas que acabem por prejudicar o seu cliente. Nas Audiências de conciliação e instrução e julgamento, o Magistrado tem contato com as partes, bem como as testemunhas ou perito quando solicitado pelo Juiz para esclarecer temas mais complexos.

Resende, 21 de Setembro de 2020.


Roberto Pereira de Oliveira

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Correção prova da OAB - Direito Civil




PROVA OAB - DIREITO CIVIL 2010.3

01) Maria celebrou contrato de compra e venda do carro da marca X com Pedro, pagando um sinal de R$ 10.000,00. No dia da entrega do veículo, a garagem de Pedro foi invadida por bandidos, que furtaram o referido carro. A respeito da situação narrada, assinale a alternativa correta.
a) Haverá resolução do contrato pela falta superveniente do objeto, sendo restituído o valor já pago à Maria.
b) Não haverá resolução do contrato, pois Pedro pode alegar caso fortuito
c) Maria poderá exigir a entrega de outro carro
d) Pedro poderá entregar outro veículo no lugar do automóvel furtado.
                Resp: LETRA A. Questão que, ao meu ver, pode ensejar nulidade. Isso porque pelo enunciado não fica claro que, de fato, tratar-se-ia de uma obrigação de dar coisa certa, pois o Examinador anuncia que Maria celebrou contrato de compra e venda do carro da marca X com Pedro. Ora, ?um carro da marca X? trata-se de bem fungível o que poderíamos imaginar que estaríamos diante de uma obrigação de dar coisa incerta. Assim, a teor do art. 246 do CC/2002, antes da escolha o devedor não pode alegar nem perda nem deterioração do objeto, fazendo com que tanto a letra C quanto a letra D poderiam ser consideradas corretas.
                Por outro lado, se Pedro vendeu ?o seu carro da marca X? e sendo o furto considerado fortuito ? porque inevitável ? a obrigação fica resolvida voltando às partes ao statu quo ante?. Assim, deverá ser restituído o valor pago, sem perdas e danos, fazendo com que a letra A seja a correta.


02) Mathias, solteiro e capaz, com 65 anos de idade, e Tânia, solteira e capaz, com 60 anos de idade, conheceram-se há um ano e, agora, pretendem se casar.
A respeito da situação narrada, é correto afirmar que Mathias e Tânia
a) deverão, necessariamente, celebrar pacto antenupcial optando expressamente pelo regime de separação de bens.
b) poderão casar-se pelo regime da comunhão parcial de bens, desde que obtenham autorização judicial, mediante a prévia demonstração da inexistência de prejuízo para terceiros.
c) poderão optar livremente pelo dentre os regimes de bens previstos em lei, devendo celebrar pacto antenupcial somente se escolherem regime diverso da comunhão parcial de bens.
d) somente poderão se casar pelo regime da separação obrigatória de bens, por força de lei e independentemente da celebração de pacto antenupcial.
                Resp. LETRA C. Acerca da Lei nº 12.344/10, que alterou o art. 1641, II, para setenta anos seria cobrada no Exame de Ordem. O Código Civil e no art. 1641, II, onde consta 60 anos, agora é 70 anos, pois a partir de dezembro de 2010, a lei foi alterada.
                Assim, se Mathias e Tânia desejam casar, hoje em dia, podem optar por qualquer regime de bens, sendo obrigatório o pacto antenupcial se optarem por um regime de bens diverso do legal (comunhão parcial de bens).
                Questão fácil para aqueles que estavam antenados com as recentes mudanças da lei.


03) Josefina e José, casados pelo regime da comunhão universal de bens, tiveram três filhos: Mário, Mauro e Moacir. Mário teve dois filhos: Paulo e Pedro. Mauro teve três filhos: Breno, Bruno e Brian. Moacir teve duas filhas: Isolda e Isabel. Em um acidente automobilístico, morreram Mário e Mauro. José, muito triste com a perda dos filhos, faleceu logo em seguida, deixando um patrimônio de R$ 900.000,00. Nesse caso hipotético, como ficaria a divisão do monte?
a) Josefina receberia R$ 450.000,00. Os filhos de Mário receberiam cada um R$ 75.000,00. Os filhos de Mauro receberiam R$ 50.000,00 cada um. E, por fim, as filhas de Moacir receberiam R$ 75.000,00 cada uma.
b) A herança seria dividida em três partes de R$ 300.000,00. Paulo e Pedro receberiam cada um R$ 150.000,00. Breno, Bruno e Brian receberiam, cada um, R$ 100.000,00. E, por fim, Isabel e Isolda receberiam cada uma a importância de R$ 150.000,00.
c) Paulo e Pedro receberiam cada um R$ 150.000,00. Breno, Bruno e Brian receberiam, cada um, R$ 100.000,00. E, por fim, Moacir receberia R$ 300.000,00.
d) Josefina receberia R$ 450.000,00. Paulo e Pedro receberiam cada um R$ 75.000,00. Breno, Bruno e Brian receberiam cada um R$ 50.000,00. Moacir receberia R$ 150.000,00.

Resp. LETRA D. Direito das Sucessões estudem ordem de vocação hereditária do art. 1829.
Josefina, casada em regime de comunhão universal é meeira, portanto, metade do patrimônio de José é dela, ou seja, R$ 450.000,00. Por sua vez, o restante será dividido entre seus três filhos, Mário (pré-morto), Mauro (pré-morto) e Moacir.
Os filhos de Mário e Mauro herdam por representação, ocasionando, assim, a sucessão por estirpe. Paulo e Pedro ficam com R$ 75.000,00; Breno, Bruno e Brian ficam com R$ 50.000,00.
Por fim, Moacir herda sua quota-parte por cabeça recebendo, portanto, o seu quinhão de R$ 150.000,00.


04) Ricardo, buscando evitar um atropelamento, realiza uma manobra e atinge o muro de uma casa, causando um grave prejuízo.
Em relação à situação acima, é correto afirmar que Ricardo
a) não responderá pela reparação do dano, pois agiu em estado de necessidade.
b) responderá pela reparação do dano, apesar de ter agido em estado de necessidade
c) responderá pela reparação do dano, apesar de ter agido em legítima defesa.
d) praticou um ato ilícito e deverá reparar o dano.
                Resp. LETRA B. Assim, esse exemplo é clássico do estado de necessidade quando um motorista para não atropelar uma criança, desvia e choca-se com um muro. Ora, apesar de não praticar ato ilícito (art. 188, CC/2002), fica obrigado a reparar o dano, a teor do art. 929 (a não ser que a pessoa lesada seja culpada do perigo, o que não era o caso na questão em estudo).
             
05) João foi registrado ao nascer com o gênero masculino. Em 2008, aos 18 anos, fez cirurgia para correção de anomalia genética e teve seu registro retificado para o gênero feminino, conforme sentença judicial. No registro não constou textualmente a indicação de retificação, apenas foi lavrado um novo termo, passando a adotar o nome de Joana. Em julho de 2010, casou-se com Antônio, homem religioso e de família tradicional interiorana, que conheceu em janeiro de 2010, por quem teve uma paixão fulminante e correspondida. Joana omitiu sua história registral por medo de não ser aceita e perdê-lo. Em dezembro de 2010, na noite de Natal, a tia de Joana revela a Antônio a verdade sobre o registro de Joana/João. Antônio, não suportando ter sido enganado, deseja a anulação do casamento.
Conforme a análise da hipótese formulada, é correto afirmar que o casamento de Antônio e Joana
a) só pode ser anulado até 90 dias da sua celebração.
b) poderá ser anulado pela identidade errônea de Joana/João perante Antônio e a insuportabilidade da vida em comum.
c) é inexistente, pois não houve a aceitação adequada, visto que Antônio foi levado ao erro de pessoa, o que tornou insuportável a vida em comum do casal.
d) é nulo; portanto, não há prazo para a sua arguição
                Resp. LETRA B. Trata-se de um caso de erro essencial que poderá ensejar a anulabilidade do casamento, pois, segundo o art. 1556 o casamento poderá ser anulado por vício da vontade, se houve por parte de um dos nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro.
                Ademais, considera-se erro essencial o que diz respeito à sua identidade, sua honra e sua fama, sendo esse erro tal que o conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Assim, haverá anulabilidade pela identidade errônea de Joana/João desde que haja a prova da insuportabilidade da vida em comum.
                Frise-se, ainda, que para Antônio houve casamento putativo, pois ele estava de boa-fé. Assim, para ele os efeitos da anulabilidade são ex nunc. Já para Joana/João não há casamento putativo e os efeitos da anulabilidade retroagem à data do casamento.


06) Danilo celebrou contrato por instrumento particular com Sandro, por meio do qual aquele prometera que seu irmão, Reinaldo, famoso cantor popular, concederia uma entrevista exclusiva ao programa de rádio apresentado por Sandro, no domingo seguinte. Em contrapartida, caberia a Sandro efetuar o pagamento a Danilo de certa soma em dinheiro. Todavia, chegada a hora do programa, Reinaldo não compareceu à rádio. Dias depois, Danilo procurou Sandro, a fim de cobrar a quantia contratualmente prevista, ao argumento de que, embora não tenha obtido êxito, envidara todos os esforços no sentido de convencer o seu irmão a comparecer.
A respeito da situação narrada, é correto afirmar que Sandro
a) não está obrigado a efetuar o pagamento a Danilo, pois a obrigação por este assumida é de resultado, sendo, ainda, autorizado a Sandro obter ressarcimento por perdas e danos de Danilo.
b) não está obrigado a efetuar o pagamento a Danilo, por ser o contrato nulo, tendo em vista que Reinaldo não é parte contratante.
c) está obrigado a efetuar o pagamento a Danilo, pois a obrigação por este assumida é de meio, restando a Sandro o direito de cobrar perdas e danos diretamente de Reinaldo.
d) está obrigado a efetuar o pagamento a Danilo, pois a obrigação por este assumida é de meio, sendo incabível a cobrança de perdas e danos de Reinaldo.
                Resp. LETRA A. Ora, trata-se de um caso típico de Promessa de Fato de Terceiro. Assim, Danilo prometeu que terceira pessoa (Reinaldo) concederia uma entrevista, mas não falara em nome de Reinaldo, pois não havia representação. Desta forma, Danilo se compromete a uma obrigação de resultado, cuja responsabilidade, por sua vez, é objetiva. Diante do não comparecimento de Reinaldo caberá a Sandro mover ação de danos materiais e morais contra Danilo, pois ele se comprometeu e não Reinaldo.
                O art. 439 aduz que aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos quando este não o executar (entenda-se concordar em cumprir a obrigação, ao invés de executar? porque com a concordância do terceiro, nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer).


07) Félix e Joaquim são proprietários de casas vizinhas há cinco anos e, de comum acordo, haviam regularmente delimitado as suas propriedades pela instalação de uma singela cerca viva. Recentemente, Félix adquiriu um cachorro e, por essa razão, o seu vizinho, Joaquim, solicitou-lhe que substituísse a cerca viva por um tapume que impedisse a entrada do cachorro em sua propriedade. Surpreso, Félix negou-se a atender ao pedido do vizinho, argumentando que o seu cachorro era adestrado e inofensivo e, por isso, jamais lhe causaria qualquer dano.
Com base na situação narrada, é correto afirmar que Joaquim
a) poderá exigir que Félix instale o tapume, a fim de evitar que o cachorro ingresse na sua propriedade, contanto que arque com metade das despesas de instalação, cabendo a Félix arcar com a outra parte das despesas.
b) poderá exigir que Félix instale o tapume, a fim de evitar que o cachorro ingresse em sua propriedade, cabendo a Félix arcar integralmente com as despesas de instalação.
c) não poderá exigir que Félix instale o tapume, uma vez que a cerca viva fora instalada de comum acordo e demarca corretamente os limites de ambas as propriedades, cumprindo, pois, com a sua função, bem como não há indícios de que o cachorro possa vir a lhe causar danos.
d) poderá exigir que Félix instale o tapume, a fim de evitar que o cachorro ingresse em sua propriedade, cabendo a Félix arcar com as despesas de instalação, deduzindo-se desse montante metade do valor, devidamente corrigido, correspondente à cerca viva inicialmente instalada por ambos os vizinhos.       
Resp. LETRA B. Questão relativamente fácil que pode ser resolvida com a redação do art. 1297, § 3º, pois a construção de tapumes especiais para impedir a passagem de animais de pequeno porte, ou para outro fim, pode ser exigida de quem provocou a necessidade deles, pelo proprietário, que não está obrigado a concorrer com as despesas.
                Assim, vejam que cercas e muros devem ser repartidas as cotas para todos os interessados, mas no caso em questão, o tapume deve ser colocado porque Félix adquiriu um cachorro devendo ele ser o responsável pelas despesas de instalação.


08) Em relação aos alimentos, assinale a alternativa correta.
a) Eles não servem apenas para garantir as necessidades básicas do alimentando, mas também para preservar a condição social de quem os pleiteia.
b) No atual Código Civil, o cônjuge eventualmente declarado culpado pela separação não sofre qualquer restrição em seu direito de pedir alimentos ao outro cônjuge.
c) A obrigação alimentar possui como característica básica ser irrenunciável, não poder ser restituída ou compensável e ser intransmissível.
d) A possibilidade de os filhos maiores pedirem alimentos aos pais continua a existir após se atingir a maioridade, em razão da continuação do poder familiar que esses exercem sobre os filhos necessitados.
                Resp. LETRA A. Questão relativamente fácil acerca dos alimentos. Sabe-se que os alimentos servem para garantir as necessidades básicas do alimentando (alimentos naturais ou necessários), mas também devem servir para preservar a condição social de quem os pleiteia (alimentos civis ou côngruos).
                Apesar de a alternativa da letra B estar hoje em desuso (porque depois de Emenda Constitucional 66/10 que alterou o § 6º do art.226, da CF/88, não se cogita mais em culpa na separação judicial apesar de existirem posições contrárias), a pergunta foi em relação ao Código Civil e, pelo art. 1704, p.u. ainda há penalidade ao cônjuge culpado (que não é mais aplicada, frise-se).
                Por fim a obrigação alimentar é transmissível aos herdeiros do devedor (art. 1700) e a obrigação alimentar, por força do poder familiar, cessa com a maioridade e após isso, haverá a possibilidade de alimentos recíprocos, mas por força do princípio da solidariedade e não do poder familiar.


09) João deverá entregar quatro cavalos da raça X ou quatro éguas da raça X a José. O credor, no momento do adimplemento da obrigação, exige a entrega de dois cavalos da raça X e de duas éguas da raça X.
Nesse caso, é correto afirmar que as prestações
a) alternativas são inconciliáveis, havendo indivisibilidade quanto à escolha.
b) alternativas são conciliáveis, havendo divisibilidade quanto à escolha.
c) facultativas são inconciliáveis, quando a escolha couber ao credor.
d) facultativas são conciliáveis, quando a escolha couber ao credor.
                Resp. Letra D. As obrigações facultativas viraram tema de provas de concurso. Nessa questão há menção às obrigações facultativas, mas estamos diante de uma obrigação alternativa: quatro cavalos OU quatro éguas. Assim, o credor (se a escolha lhe pertencer, o que a questão não diz) poderá escolher ou os quatro cavalos ou as quatro éguas, mas não poderá mesclar as duas obrigações.


10) Sônia, maior e capaz, decide doar, por instrumento particular, certa quantia em dinheiro em favor se seu sobrinho, Fernando, maior e capaz, caso ele venha a se casar com Leila. Sônia faz constar, ainda, cláusula de irrevogabilidade da doação por eventual ingratidão de seu sobrinho. Fernando, por sua vez, aceita formalmente a doação e, poucos meses depois, casa-se com Leila, conforme estipulado. No dia seguinte ao casamento, ao procurar sua tia para receber a quantia estabelecida, Fernando deflagra uma discussão com Sônia e lhe dirige grave ofensa física.
A respeito da situação narrada, é correto afirmar que Fernando
a) não deve receber a quantia em dinheiro, tendo em vista que a doação é nula, pois deveria ter sido realizada por escritura pública.
b) deve receber a quantia em dinheiro, em razão de o instrumento de doação prever cláusula de irrevogabilidade por eventual ingratidão.
c) não deve receber a quantia em dinheiro, pois dirigiu grave ofensa física à sua tia Sônia.
d) deve receber a quantia em dinheiro, em razão de ter se casado com Leila e independentemente de ter dirigido grave ofensa física a Sônia.
                Resp. LETRA D. A doação em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa não se revoga por ingratidão do donatário, independentemente da cláusula de irrevogabilidade que foi aposta. Assim, feita por instrumento particular (contrato solene, art. 541, caput) e devida aceita faz nascer a obrigação da entrega do bem não podendo ser revogada por ingratidão. Assim, a questão D acaba sendo a correta, por força do art. 564, IV

               
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Prova de Direito do Consumidor - OAB 2010.3

Caros Colegas
Seguem alguns comentários acerca das questões de Direito do Consumidor da OAB/FGV feitas  pelo Professor
Alexander Perazo
perazo@euvoupassar.com.br

PROVA OAB 
DIREITO DO CONSUMIDOR  2010.3

01) O prazo para reclamar sobre vício oculto de produto durável é de
a) 90 (noventa) dias a contar da aquisição do produto.
b) 90 (noventa) dias a contar da entrega do produto.
c) 30 (trinta) dias a contar da entrega do produto.
d) 90 (noventa) dias a contar de quando ficar evidenciado o vício.

                Resp. LETRA D. Questão comentada, ipsis literis, na aula de revisão e fortemente enfatizada nas aulas de Direito do Consumidor. O vício oculto será contado a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito tendo o consumidor, a partir da constatação, noventa dias para reclamar tratando-se de produto durável. Aplicação do art. 26, § 3º do CDC.

02) Em sua primeira viagem com seu carro zero quilômetro, Joaquim, fechado por outro veículo, precisa dar uma freada brusca para evitar um acidente. O freio não funciona, o que leva Joaquim, transtornado, a jogar o carro para o acostamento e, em seguida, abandonar a estrada. Felizmente, nenhum dano material ou físico acontece ao carro nem ao motorista, que, muito abalado, mal consegue acessar seu celular para pedir auxílio. Com a ajuda de moradores locais, se recupera do imenso susto e entra em contato com seus familiares.
Na qualidade de advogado de Joaquim, qual seria a orientação correta a ser dada em relação às providências cabíveis?
a) Propositura de ação de responsabilidade civil pelo fato do produto em face do fabricante do veículo.
b) Não há ação a ser proposta porque não houve dano.
c) Propositura de ação de responsabilidade civil pelo fato do produto em face da concessionária que vendeu o veículo a Joaquim.
d) Propositura de ação de responsabilidade civil pelo vício do produto em face do fabricante e da concessionária, uma vez que a responsabilidade é solidária.

                Resp. LETRA D. Caros amigos, o gabarito divulgado consta como a letra A para a opção correta, mas, data maxima venia, está errado. Vejamos: a responsabilidade pelo fato surge quando o produto apresenta um defeito (insegurança) e este defeito causa dano ao consumidor. Assim, pelo art. 12 do CDC o fabricante, o produtor, o construtor e o importador (à exceção do comerciante) respondem, independentemente de culpa, pela reparação dos DANOS causados aos consumidores por defeitos em seus produtos.
                Ora, apesar de o produto apresentar certa insegurança, estamos diante da Responsabilidade por vício do produto (art. 18, CDC), podendo, inclusive, o consumidor cumular o pedido de restituição imediata da quantia paga, sem prejuízo de eventuais perdas e danos, salientando-se que, inicialmente, o consumidor poderia exigir a substituição das partes viciadas.


03) Em relação aos princípios previstos no Código de Defesa do Consumidor, assinale a alternativa correta.
a) O CDC é uma norma tipificadora de condutas, prevendo expressamente o comportamento dos consumidores e dos fornecedores.
b) A boa-fé prevista no CDC é a boa-fé subjetiva.
c) O princípio da vulnerabilidade, que presume ser o consumidor o elo mais fraco da relação de consumo, diz respeito apenas à vulnerabilidade técnica.
d) O princípio da transparência impõe um dever comissivo e um omissivo, ou seja, não pode o fornecedor deixar de apresentar o produto tal como ele se encontra nem pode dizer mais do que ele faz; não pode, portanto, mais existir o dolus bonus.

                Resp. LETRA D pelo gabarito oficial, mas na minha visão essa questão deve ser anulada. Vejam que a letra B esta errada, pois a boa-fé prevista no art 4º, III é a boa-fé objetiva, ou seja, a mesma que está presente no Código Civil nos artigos 113, 187 e 422. A letra C, por sua vez, fala do princípio da vulnerabilidade, cuja presunção á absoluta no CDC. Assim, a vulnerabilidade pode ser técnica, jurídica ou econômica.
                Ficamos, portanto, com as alternativas A ou D que passamos a comentar. A letra A aduz que o CDC é uma norma tipificadora de condutas, prevendo expressamente o comportamento do consumidor e do fornecedor. Em algumas passagens do CDC isso seria verdadeiro, como por exemplo, as práticas abusivas do art. 39 ou as cláusulas abusivas do art. 51. Porém não podemos afirmar de antemão que o CDC é uma norma tipificadora de condutas porque nem todas as suas regras o são. Assim temos normas programáticas da Política Nacional das Relações de Consumo, somente para darmos um exemplo.
                Já a letra D estaria correta se não fosse pela frase final, ou seja, ?não mais existe o dolus bonus nas relações de consumo?. Ora, o art. 30 do CDC aduz que toda informação ou publicidade, desde que suficientemente precisa, obriga e vincula o contrato. Desde que suficientemente precisa traduz que o denominado ?puffing? (meros exageros) ainda não obriga o fornecedor, nem vincula o contrato assinado. Meros exageros representam, exatamente, o dolus bonus que, desta forma, continua sendo permitido mesmo na relação de consumo.

              
              

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Questões de Direito Empresarial




1. (OAB/CESPE – 2007.2) Considerando o atual estágio do direito comercial (ou empresarial)
brasileiro, assinale a opção correta.

A O Código Civil de 2002, assim como o Código Comercial de 1850, adotou a teoria da empresa.

B O Código Civil de 2002 não revogou a antiga legislação sobre sociedades por quotas de responsabilidade limitada.
C O Código Civil de 2002 revogou totalmente o Código Comercial de 1850.
D A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre direito comercial (ou empresarial).




2. (OAB/CESPE – 2007.3) Paulo e Vinícius, únicos sócios da Ômega Comércio de Roupas Ltda.,
decidiram ceder integralmente suas cotas sociais e, também, alienar o estabelecimento empresarial da sociedade para Roberto e Ana. Ômega Comércio de Roupas Ltda. havia celebrado contrato de franquia com conhecida empresa fabricante de roupas e artigos esportivos. Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta.

A A eficácia da alienação do estabelecimento empresarial dependerá sempre do consentimento expresso de todos os credores.

B O adquirente não responderá por qualquer débito anterior à transferência do estabelecimento empresarial.
C O franqueador não poderá rescindir o contrato de franquia com a Ômega Comércio de Roupas Ltda.
com base na transferência do estabelecimento.
D Os alienantes do estabelecimento empresarial da Ômega Comércio de Roupas Ltda. não poderão fazer concorrência aos adquirentes nos cinco anos subseqüentes à transferência, salvo se houver autorização expressa para tanto.




3. (OAB/CESPE – 2007.2) Com relação ao nome empresarial, assinale a opção correta.

A O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.

B As companhias podem adotar firma ou denominação social.

C Em princípio, o nome empresarial, após ser registrado, goza de proteção em todo território nacional.
D O empresário individual opera sob denominação.




4. (OAB/CESPE – 2006.3) Quanto ao que prescreve o Código Civil a respeito do contrato de
alienação de estabelecimento empresarial, assinale a opção correta.

A O contrato que tenha por objeto a alienação do estabelecimento só produzirá efeitos perante terceiros depois de averbado na junta comercial.

B O alienante do estabelecimento pode fazer concorrência ao adquirente, salvo cláusula expressa em sentido contrário.
C O adquirente do estabelecimento responde por todo e qualquer débito anterior ao negócio.
D Salvo autorização expressa de terceiros contratantes, o adquirente do estabelecimento não se sub-roga nos contratos anteriores ao negócio firmados pelo alienante.




5. (OAB/CESPE – 2007.3) Renato e Flávio eram sócios da pessoa jurídica X Comércio de Alimentos Ltda. Flávio era casado sob o regime de comunhão universal de bens e Renato era viúvo. Em julho de 2007, Renato faleceu em virtude de acidente automobilístico, deixando como único herdeiro seu filho de quatorze anos, o qual ficou sob a tutela de seu tio João. Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta.

A O filho de Renato, representado por João, com a concordância do sócio remanescente, poderá continuar a empresa, sendo desnecessária autorização judicial se essa hipótese de sucessão estiver prevista no contrato social.

B Os bens particulares, estranhos ao acervo da empresa, que o filho de Renato já possuía ao tempo da sucessão não responderão por dívidas da sociedade.
C Se, durante a fase de liquidação, Flávio optar pela dissolução da sociedade, na alienação de bens imóveis integrantes do patrimônio da empresa, será necessária a outorga de sua esposa.
D Se João não puder exercer atividade de empresário, para que o filho de Renato possa continuar a empresa, deve-se nomear, com a aprovação judicial, um ou mais gerentes, ficando João isento da responsabilidade pelos atos do gerente nomeado.




6 (OAB.CESPE/2008.1)

Segundo o art. 122 da Lei n.º 9.279/1996, são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. Com base no regime jurídico das marcas, previsto nessa lei, assinale a opção correta.



a) À marca de alto renome será concedida proteção em seu ramo de atividade, independentemente de estar registrada no Brasil.
b) À marca coletiva, se devidamente registrada no Brasil, será concedida proteção para ser utilizada por todos os que atuarem no correspondente ramo de atividade.
c) À marca de produto ou serviço será concedida proteção para distinguir produto ou serviço de outro, idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa.
d) À marca notoriamente conhecida, desde que registrada no Brasil, será concedida proteção em todos os ramos de atividade.




7. (OAB.CESPE/2008.2)

De acordo com as leis brasileiras, considera-se criação passível de ser objeto de direito de patente


A) a pintura em que se retrata a imagem de um grupo de pessoas.
B) o livro científico em que se descrevem aplicações de medicamentos.
C) o método cirúrgico de transplante de coração em animais.
D) um processo de fabricação de tinta.




8. (OAB/CESPE – 2004.ES) Acerca do direito de empresa, assinale a opção correta.

A Considere que, em 5/4/2004, Alessandra e Cristine decidiram formar determinada sociedade, cujos atos constitutivos só foram inscritos no registro próprio em 6/7/2004. Nesse caso, durante o período compreendido entre 5/4/2004 e 6/7/2004, a sociedade não possuiu personalidade jurídica.

B Considere que Joana e Márcia sejam sócias da sociedade empresária Elite Segurança Ltda. Nessa situação, Joana e Márcia são consideradas empresárias, conforme disposições do Código Civil.
C Não há impedimento legal à contratação de sociedade empresária entre cônjuges casados sob o regime de comunhão universal de bens.
D A sociedade que, no exercício de atividade de natureza científica, produza bens e serviços de consumo é considerada empresária, em conformidade com o atual ordenamento civil.




9 (OAB/CESPE – 2007.1) Acerca da sociedade em comum, assinale a opção correta.

A Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem aquele que contratou pela sociedade.

B O regime da sociedade em comum aplica-se também às sociedades por ações em organização.
C A sociedade em comum é uma espécie societária personificada.
D Os bens e as dívidas da sociedade em comum constituem patrimônio especial, administrado e titularizado pelo sócio administrador.




10. (OAB/CESPE – 2006.2) Quanto ao regime de responsabilidade dos sócios por dívidas da sociedade, de acordo com o Código Civil, assinale a opção incorreta.


A Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor das quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.

B Na sociedade em comum, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem aquele que contratou pela sociedade.

C Na sociedade em nome coletivo, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais.
D Na sociedade em comandita simples, os sócios comanditários, pessoas físicas, são responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais.




11. (OAB/CESPE – 2006.1) Assinale a opção correta, com relação ao direito societário moderno.


A Na sociedade em comum, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.

B Constitui hipótese de dissolução e liquidação da sociedade empresária a unipessoalidade, caso a pluralidade de sócios não tenha sido recomposta no prazo de 180 dias.
C O quorum de deliberação para nomeação de administrador não-sócio, em sociedade limitada cujo capital social ainda não esteja integralizado, será de dois terços do respectivo capital social.
D A formação do capital social da sociedade anônima deve se dar necessariamente com contribuição pecuniária.


12 (OAB/CESPE – 2004.ES) Quanto às sociedades limitadas, assinale a opção incorreta.




A Considere que Antônio e Francisco sejam sócios de determinada sociedade por quotas de responsabilidade limitada. Nessa sociedade, o capital social é de R$ 400.000,00 e cada sócio subscreveu uma cota de R$ 200.000,00. Antônio integralizou sua cota, mas Francisco tornou-se inadimplente e não dispõe de recursos pecuniários para solver sua dívida com a sociedade. Em face dessa situação, Antônio deverá arcar com a integralização da cota subscrita por Francisco.

B O capital social de uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada pode ser dividido em quotas iguais ou desiguais.
C Na sociedade por quotas de responsabilidade limitada, o capital social pode ser majorado após a integralização das quotas, sendo desnecessária qualquer alteração no ato constitutivo da sociedade.
D Considere a seguinte situação hipotética. Felipe, Ricardo e Pablo são sócios de determinada sociedade por quotas de responsabilidade limitada e, mesmo na ausência de disposição em contrato social nesse sentido, Felipe deseja ceder a totalidade de suas quotas a Pablo. Nessa situação, o ato de cessão entre Felipe e Pablo independerá da audiência de Ricardo.




13. (OAB/CESPE – 2007.2) Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza, sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada. Após algum tempo, Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos, e sair da sociedade. O contrato social é omisso sobre essa hipótese. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta.

A A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada, independentemente de averbação no respectivo órgão de registro.

B Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade, de acordo com o Código Civil, poderia fazê-lo, desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social.

C Após a alienação das quotas de Alberto, a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original.
D De acordo com o Código Civil, Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser.



14. (OAB/CESPE – 2006.3) Se todas as cotas de uma sociedade limitada forem adquiridas por um único sócio, essa sociedade

A dissolve-se imediatamente.
B extingue-se de pleno direito, pois a legislação brasileira não admite a figura da sociedade unipessoal.

C pode subsistir sem a pluralidade de sócios por até 180 dias.
D automaticamente transforma-se em firma individual




15. (OAB/CESPE – 2007.2) Relativamente às companhias, assinale a opção que não apresenta direito essencial do acionista.

A participação nos lucros da sociedade

B participação no acervo da companhia em caso de liquidação
C direito de voto
D direito de retirada




16. (OAB/CESPE – 2007.3) Considerando-se que Paula tenha endossado a Luana um cheque de terceiro no valor de R$ 500,00, é correto afirmar que

A Paula, por ter endossado o cheque, responde pela solvência do devedor principal, no valor de R$ 500,00.

B o endosso produz os mesmos efeitos jurídicos de uma cessão civil de créditos.

C o endosso transfere a Luana a posse, não a propriedade do título de crédito.
D o endosso de Paula será nulo de pleno direito se a obrigação consubstanciada no cheque já estiver vencida.




17. (OAB/CESPE – 2007.3.PR) Assinale a opção correta, acerca da disciplina normativa dos títulos de crédito.

A Os títulos de crédito causais são aqueles dissociados da relação jurídica que lhes deu origem, tais como a nota promissória.

B Consideram-se sucessivos os avais superpostos e prestados sem a indicação da pessoa avalizada.

C A duplicata mercantil é uma ordem de pagamento à vista ou a prazo, sacada por um credor contra o seu devedor, em favor de alguém.
D À exceção do regime de casamento da separação absoluta de bens, os cônjuges não podem, sem autorização do outro, prestar fiança ou aval.




18. (OAB/CESPE – 2007.1) Marcos, empresário individual, emitiu uma duplicata contra Lucas, no valor de R$ 5.000,00, com praça de pagamento em Brasília – DF. Após isso, Marcos colocou o
título em circulação, endossando-o a Mateus, que, por sua vez, também por endosso, transferiu-o a João. A par do endosso, Mateus fez vir à duplicata, em seu favor, aval de Josué, cônjuge de Maria. Acerca do protesto da duplicata mencionada na situação hipotética acima, assinale a opção incorreta.

A Para que João possa cobrar de Mateus, é imprescindível o protesto do título.

B O protesto deve ser tirado na praça de pagamento constante da duplicata, ou seja, em Brasília – DF.

C Caso não seja exercida a faculdade de protestar o título por falta de aceite, não se elide a possibilidade de protesto por falta de pagamento.
D De acordo com a legislação em vigor, a duplicata só pode ser protestada por falta de aceite ou de pagamento.






19. (OAB/CESPE – 2006.3) A respeito do regime do cheque no Brasil, assinale a opção correta.

A O cheque pré-datado encontra-se previsto expressamente na legislação brasileira.

B O cheque veicula obrigação portável.

C O cheque contém promessa incondicional de pagamento de quantia determinada.
D O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a emitir cheque sobre eles, em virtude de contrato expresso ou tácito.




20. (OAB/CESPE – 2006.2) De vez em quando, um amigo que mal me cumprimenta, ou um colega de trabalho que nunca me ajudou, me pede que seja seu avalista. Provavelmente, ele raciocina que perguntar não ofende, só depende da cara-de-pau de cada um. Por que os bancos insistem em obter um aval de um amigo do cliente? No fundo, o que os bancos querem é reduzir o risco da operação de crédito, arrolando também os bens pessoais do avalista como garantia. Mas que interesse tem o avalista em colocar seus bens em risco sem nada receber em troca? O avalista entra gratuitamente nesse contrato, como um voluntário, um altruísta, sem receber uma remuneração pelo serviço que presta ao banco. O avalista só entra com obrigações e não tem nenhum benefício, só chateação. O banco ficará obviamente feliz com o empréstimo que você viabilizou. Uma técnica que eu uso nessas ocasiões, e que aprendi com um verdadeiro amigo, é ficar indignado com os juros exorbitantes cobrados pelo banco e oferecer o mesmo empréstimo, sem cobrar juros. Seu amigo ou parente vai pular de alegria, e você coloca uma única e singela imposição: que o gerente ou o presidente do banco avalize a operação. Não é um pedido exorbitante, e nenhum gerente de banco poderá recusar, porque é exatamente o mesmo pedido que eles estão fazendo. Seria hipocrisia recusar (...). Stephen Kanitiz. Procuro um avalista. Veja, 12/5/2004, p. 23 (com adaptações). Considerando o texto acima como referência inicial, assinale a opção correta relativamente ao aval no âmbito do Código Civil vigente.

A O avalista não pode, assim como sucede com o fiador de contrato de locação imobiliária urbana, invocar a proteção ao seu bem de família.

B Da mesma forma que o penhor, o aval constitui uma garantia real, instituída, entretanto, em título de crédito.

C Semelhantemente ao que ocorre na fiança, nenhum dos cônjuges, sem autorização do outro, pode prestar aval, exceto no regime da separação absoluta.
D O aval, no Código Civil, garante, em regra, o benefício de ordem ao avalista.




21. (OAB/CESPE – 2004.ES) Cada uma das opções a seguir, referentes ao cheque e à notapromissória, apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção cuja assertiva esteja incorreta.

A Uma compradora, no ato de pagamento de mercadorias que selecionara em loja de roupas femininas, preencheu cártula de cheque e a entregou ao caixa da loja. Contudo, o caixa recusou-se a receber o título de crédito, por desconhecer o banco sacado. Nessa situação, o caixa da loja não praticou ilícito.

B Mauro efetuou contrato de compra e venda com Marcelo e, para o pagamento previsto no contrato, emitiu cártula de cheque no valor de R$ 550,00. Nessa situação, deve constar do título de crédito, por determinação legal, o nome do respectivo beneficiário, ou seja, Marcelo.

C Por força de contrato firmado entre particulares, foram emitidas várias notas promissórias. Considerando que o portador dos referidos títulos decidiu transferir a titularidade destes por endosso, após endossados, estes passam a representar dívidas autônomas.
D Ana firmou contrato de abertura de crédito com determinada instituição bancária e, para garantir o cumprimento das obrigações contraídas, emitiu uma nota promissória. Nessa situação, a nota promissória é considerada título de crédito, com todas as características inerentes a quaisquer títulos dessa natureza, ou seja, literalidade, cartularidade e autonomia.


2. (OAB/CESPE – 2007.3) Os sócios da MN Serviços Ltda., pessoa jurídica que atua no ramo de prestação de serviços de limpeza e conservação, visando superar situação de crise econômicofinanceira, deliberaram pela recuperação judicial da referida pessoa jurídica. Considerando a situação apresentada e as normas relativas à recuperação judicial das sociedades empresárias, assinale a opção correta.



A Para que a MN Serviços Ltda. possa requerer a recuperação judicial, é necessário que ela, no momento do pedido, esteja exercendo regularmente suas atividades há mais de cinco anos.
B Apenas os créditos vencidos do devedor, existentes na data do pedido, estarão sujeitos à recuperação judicial.
C A petição inicial da MN Serviços Ltda. deve ser instruída com as demonstrações contábeis relativas aos cinco últimos exercícios sociais.
D No ato em que for deferido o processamento da recuperação judicial da MN Serviços Ltda., deve ser nomeado administrador judicial, que pode ser pessoa física ou jurídica.




23 (OAB/CESPE – 2007.3.PR) Não tem legitimidade ativa para requerer a falência do devedor

A o empresário irregular.

B o credor com garantia real.

C o herdeiro do devedor.
D o próprio devedor.



24. (OAB/CESPE – 2007.1) O plano de recuperação judicial para microempresas e para empresas de pequeno porte

A prevê parcelamento das dívidas em até 72 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros de 6% a.a.

B abrange toda e qualquer sorte de crédito.

C estabelece a necessidade de autorização do juiz, após ouvidos o administrador judicial e o comitê de credores, para o devedor aumentar despesas ou contratar empregados.
D prevê o pagamento da primeira parcela das dívidas no prazo máximo de 30 dias, contados da distribuição do pedido de recuperação judicial.



25 (OAB/CESPE – 2006.2) Quanto à falência, no regime da Lei n.º 11.101/2005, assinale a opção correta.

A As empresas públicas estão sujeitas aos termos da referida lei.

B É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local da sede do empresário ou da sociedade empresária, ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.

C São exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na falência, as obrigações a título gratuito.
D Não são exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na falência, as despesas que os credores fizerem para nelas tomar parte, salvo as custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor.



GABARITO: 1. D; 2. D; 3. A; 4. A; 5. B; 6. C; 7. D; 8. A; 9. A; 10. D; 11. B; 12. C; 13. B; 14. C; 15.C; 16. A; 17. D; 18. D; 19. D; 20. C; 21. D; 22. D; 23. A; 24. C; 25. D



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